domingo, 12 de outubro de 2014

Soltar amarras...

Quantas vezes criamos pesos e amarras.
E quando damos por isso estamos amarrados a algo que não queremos. Algo que não desejamos. Mas como estamos numa zona de conforto, mesmo que seja algo que no fundo não queremos, deixamo-nos estar.
E por isso não aproveitamos as oportunidades, deixamos passar momentos positivos,  perdemos instantes que poderiam ser maravilhosos, sublimes e harmoniosos.
A sabedoria que vamos acumulando vem do tempo que vivemos, das perdas, dos momentos menos bons, das pequenas vitórias e das lições que aprendemos com quem é sábio.
A nossa força vem do fracasso, a energia vem da eliminação de dúvidas existenciais. Afinal as melhores histórias da nossa vida ainda estão para viver. Vão concretizar-se. Porque nem sempre a vida é "madrata". Mas para abraçarmos a luz, é preciso acreditar e arriscar.
Das mais profundas dores irão nascer os mais belos louvores. Porque acreditar em nós, é acreditar que os instantes em que o coração bate mais forte para viver a vida, irão durar, num constante estado de energia cheia de vivacidade, entusiasmo e dinamismo.
Temos de começar por algum lado. Não há um momento ideal para se concretizar uma mudança. O mais importante é dar o primeiro passo. Sermos fortes na crença daquilo que queremos alcançar. Manter a fé, custe o que custar. O milagre da mudança só irá acontecer se tiveres coragem, preserverança, temeridade e rasgos de valentia. No fim irá valer o esforço. Isso é uma certeza absoluta.

LR/2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A bússula ...








No último Natal que passamos juntos deste-me uma bússola. 
Minúscula. Simbólica. Eu invejava por vezes o teu sentido de orientação. :-)
Sempre achei que eras atraído para mim como as agulhas das bússolas, pelo magnetismo. Assim a bússula fez sempre sentido entre nós
As minhas memórias jamais se encherão de pó. Jamais me perderei ou ficarei a leste do que sou. Do que vivi.
Porque as memórias me ajudam a saber exactamente qual é a minha essência, pertencer a mim mesma e, que ao percorrer os caminhos da felicidade, não esquecer sempre quem, não estando, estará para sempre em mim.

LR/2014

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ter paciência não significa engolir sapo


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"Estamos vivendo um crescente paradoxo: a vida moderna, com os seus meios de comunicação cada vez mais velozes, vem requisitando ter mais e mais paciência. Se pensamos estar ganhando tempo ao aplicar a tecnologia moderna ao nosso quotidiano, é melhor reconhecermos que desta forma temos perdido a habilidade de lidar com o nosso tempo interno: estamos cada vez mais impacientes.
Queremos que o nosso mundo interno, as nossas emoções, sentimentos e percepções, fluam com a mesma velocidade máxima da Internet… Como não toleramos esperar o tempo natural do amadurecimento de nossas emoções, sofremos a dor da impaciência: semelhante a uma queimadura interna, ardemos de ansiedade!
Intuitivamente, sabemos que algo não vai bem, mas como temos a urgência de nos livrarmos da pressa interna cada vez mais estimulada pela aceleração dos acontecimentos, não temos mais tempo para sentir, compreender e transformar nossas emoções.
Sofremos um grande paradoxo: cada vez que produzimos mais no mundo externo, criamos menos no mundo interno. Podemos estar ganhando mais tempo e espaço à nossa volta, mas temos de admitir que estamos perdendo a habilidade de lidar com nosso tempo e espaço internos.
Paradoxo é uma contradição, algo que ocorre ao contrário do esperado. Todos nós, com a inocente esperança de viver melhor, assumimos mais compromissos do que podemos e depois nos surpreendemos com problemas mais sérios e inesperados do que imaginávamos enfrentar. Quando as coisas não funcionam de acordo com as nossas expectativas, temos cada vez menos paciência, nos tornamos mais rígidos e cansados.
Por que continuamos nesta roda viva se já temos consciência de suas consequências? Acredito que parte da  nossa confusão interna está no facto de que compreendemos erroneamente a virtude da paciência. Por ignorância, insistimos num esforço insensato. Por exemplo, quem já não confundiu a experiência de achar que estava tendo paciência quando na realidade estava engolindo sapos?
Enquanto confundirmos auto-controlo com a capacidade de reprimir os nossos sentimentos, em vez de conhecê-los, estaremos correndo o risco de tolerar o que não é para ser tolerado! Em certas situações adversas, podemos pensar que estamos tendo paciência, quando, na verdade, estamos apenas sobrecarregando. Suportamos o sofrimento externo às custas de muito sofrimento interno.
Ser paciente não significa sobrecarregar-se de sofrimento interno, nem estar vulnerável ou ser permissivo com relação às condições externas. Ter paciência não é ser uma vítima passiva da desorganização alheia. Não é útil, por exemplo, ter paciência em uma situação em que se esteja sendo explorado.
Segundo a psicologia do budismo tibetano, ter paciência é a força interior de não se deixar levar pela negatividade. Ter paciência é escolher manter a clareza emocional quando o outro já a perdeu. Neste sentido, ter paciência é decidir manter sua mente limpa, livre da contaminação da raiva e do apego.
No entanto, não basta termos uma intenção clara quanto a nossas escolhas, é preciso desenvolver a força interior para sustentá-las. Neste sentido, não basta compreender racionalmente o que é ter paciência, é preciso cultivá-la interiormente. Temos de admitir que o tempo de que precisamos para amadurecer uma compreensão emocional é muito maior do que aquele de que necessitamos para sua compreensão racional.
Segundo o budismo tibetano, há três tipos de paciência:
1. Não se aborrecer com os prejuízos infligidos pelas outras pessoas, isto é, não nos abalarmos quando somos intencionalmente provocados e feridos.
2. Aceitar voluntariamente o sofrimento para si: se alguém demonstra ter raiva, não deve responder com raiva; ou, se alguém o magoa ou insulta, não deve reagir, mas sim compreender o porque da outra pessoa não ter tido controlo sobre as suas emoções.
3. Ser capaz de suportar os sofrimentos próprios do desenvolvimento espiritual.
Inicialmente, poderíamos avaliar estes tipos de paciência como um estado de covardia ou de submissão aparentemente masoquista. Se, ao não reagirmos diante de uma provocação, estivermos apenas tentando conter nossa raiva e não buscando transformá-la, acabaremos por implodir e iremos ser rancorosos. Enquanto o auto controlo excessivo nega as nossas necessidades internas, o auto-controlo saudável não reprime os sentimentos: lida directamente com eles.(...) "

Portal do Budismo
Pensamentos Dalai Lama (excerto)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014